Pubblico Ministero del Distretto Federale (sede della capitale Brasilia), Juliana aveva 50 anni, era dottore di ricercain Diritto Socioambientale (Pontificia Università Cattolica del Paraná), ed autrice di diversi articoli su temi inerenti ai diritti socioambientali, nonché di libri tra cui vanno ricordati: Socioambientalismo e novos direitos: proteção jurídica à diversidade biológica e cultural e  e direitos dos agricultores,frutto della tesi di dottorato ed opera di riferimento sul tema agrobiodiversità e diritti degli agricoltori, sia in Brasile che in ambito internazionale, anche a partire dalla versione aggiornata successivamente pubblicata in inglese:Agrobiodiversity and the Law: regulating genetic resources, food security and cultural diversity.
Juliana era inoltre ricercatrice associata al programma di ricerca franco-brasiliano PACTA - Popolazioni locali, agrobiodiversitá e saperi tradizionali, sviluppatoin collaborazione tra l’Institut de Recherche pour le Développement (IRD) e la Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Vedasi: https://projetopacta.wordpress.com/
Attivista instancabilenella difesa di agrobiodiversità,sovranità alimentare, saperi tradizionali, lascia unfiglio, Lucas, di 19 anni. A Lucas, oltre che a suo padre Marcio, compagno di vita e militanza di Juliana, il forte abbraccio solidale della RSR e di quanti, in Italia, si sentono partecipi degli ideali e delle battaglie comuni a quelle che erano di Juliana.

Condividiamo le parole a lei dedicate dagli agricoltori brasiliani del Centro di Agricoltura Alternativa (CAA) del Nord di Minas Gerais, con cui Juliana aveva lavorato più intensamente negli ultimi anni.


Juliana (Santilli) esteve no sertão e nunca mais se foi.
Com ela aprendemos os valores imensuráveis que se escondem no germe de uma semente. Com ela a agricultura deixou o singular e saltou ao plural, mesmo mantendo sua singularidade.
Sua diversidade nunca se fez só, pois sempre havia um povo, uma comunidade, uma família, uma agricultora ou um agricultor se fazendo – juntos.
Juliana se apoiou na delicadeza de uma semente que se escondia sob um simples grão e nos desvendou os complexos subterrâneos jurídicos de tentativa de aprisionamento daquilo que, por natureza, se fez por ser livre; com ela ousamos trilhar os caminhos inseguros, pantanosos, onde os direitos dos agricultores se chocavam com os poderosos interesses das corporações.
Com Juliana Santilli, os sertanejos do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha se descobriram participantes de um mundo muito maior do que podíamos supor pois, como ela mesma nos disse, são imbricados os patrimônios genético e cultural presentes no planeta.
Foi nessas ousadias que Juliana aportou nos corações de tantos e tantas que no sertão vivem, que do sertão vivem.
Acompanhamos desde aqui, no silêncio das noites sem fim, sua luta que, de repente, mudou de planos, como a nos dizer a todos que a vida, como um sopro, continua como frutos, que também continuam como sementes e vão germinar em outros mundos, deixando em nossas memórias o aroma do seu encantamento.
Juliana esteve no sertão e nunca mais se foi, pois as sementes que por aqui espalhou frutificaram. E seguem todas em seu mundo encantado.
Juliana esteve na aldeia e nunca mais se foi.
Juliana esteve na floresta e nunca mais se foi.
Juliana esteve onde esteve e ficou para sempre.
Leva o carinho e o reconhecimento de centenas e centenas de pessoas, famílias e comunidades que tiveram a honra de conhecer Juliana Santilli.
Carlos Dayrell, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas